"Permita que ouçam-te... e ao ler-te, ti conheças, até que nada mais te prenda, nem mesmo tu" ( S.F)
terça-feira, 18 de julho de 2017
Meu inesquecível amigo...
Meu inesquecível amigo...
obrigada pela sua visita hoje á tarde,
Obrigada por não ter levado em conta as vezes que eu te convidei e não te dei atenção.
Você poderia não ter voltado, ou ter esquecido de mim, mas mesmo assim, você veio quando
gritei por você! Quando precisei da sua amizade, dos seus conselhos, da sua sabedoria, da sua direção.
Você estava esperando eu chamar, como foi bom conversar contigo.
Você não reparou no meu cabelo despenteado, meu rosto sem maquiagem, roupas velhas de ficar em casa. Não ligou por estar lavando a louça quando te chamei, não reparou se tinha poeira no piso, nem na marca do sabão em pó que uso para lavar a roupa...
Você simplesmente veio, ouviu, abraçou, respondeu!
Você mostrou tanta lealdade como jamais eu fui capaz de retribuir, você mostrou tanto amor e compreensão que jamais poderei pagar,
você me lembrou princípios e direções que eu havia esquecido e deixou-me chorar em seu ombro e me refazer dos efeitos dos meus erros, dores e frustrações.
Muitas vezes você veio passar a tarde comigo e foram especiais e preciosas, mas hoje eu sei meu amigo que ficará marcado sua visita, não esqueceremos, porque hoje eu te vi! Te senti, te toquei! Você ouviu minhas canções, leu meus poemas , você não os rejeitou, porque hoje eu te recebi de alma nua, sem máscaras, perfumes, ou fantasias. Hoje era somente nós e a Tua presença me refez.
Quero que venhas sempre, sempre e sempre outra vez, lembrar-me quem sou e quem és.
De tudo destas férias o que mais sentirei falta é desses momentos em que fostes meu socorro, meu tesouro, meu acalento...
Eu queria parar o tempo e ficar contigo ...Espirito Santo!
No poema “Meu inesquecível amigo…”, o “amigo” se revela como uma figura do Outro absoluto, que escuta, acolhe e responde sem falhaS identificaNdo ao Espírito Santo. Pela Psicanálise Lacaniana, há aqui uma experiência rara: o sujeito se apresenta sem máscaras, suspendendo o jogo imaginário e tocando algo do real do seu sofrimento. Diferente do amor humano (marcado pela falta), esse Outro aparece como aquele que não falha na escuta, funcionando como lugar de amparo e reorganização subjetiva. A repetição do chamado (“venhas sempre”) mostra o desejo de manter esse laço onde a falta parece, por instantes, pacificada. Em síntese: o poema encena um encontro com um Outro que não decepciona EM uma experiência de reintegração do sujeito via amor e escuta absoluta.
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