domingo, 3 de maio de 2026

FR - 27/08/2009 "Caderno Vida"

PENSANDO EM LACAN: O poema gira em torno da demanda de amor que nunca se satisfaz plenamente. Em termos de Psicanálise Lacaniana, o eu lírico dirige ao outro uma expectativa de completude (“me amar”, “crescer comigo”), mas essa expectativa esbarra na estrutura própria do desejo: o Outro não pode preencher a falta. Há um deslizamento entre amor, necessidade e desejo — o amor aparece como tentativa de tamponar a falta, mas o desejo insiste como algo que escapa. O tom “moribundo” indica justamente o colapso dessa ilusão: quando o sujeito percebe que o outro não responde à sua demanda como imaginado, o amor entra em declínio. Em síntese: o poema revela o encontro com a falta estrutural e o luto não é só pelo outro, mas pela fantasia de ser plenamente amado.

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